Odisseu e a longa viagem de volta para casa

24/09/2026 23:50

 

 

Entre os grandes heróis da mitologia grega, poucos tiveram uma jornada tão longa e cheia de aventuras quanto Odisseu. Conhecido pelos romanos como Ulisses, ele passou dez anos lutando na Guerra de Troia e outros dez tentando retornar para sua terra natal, Ítaca.

Sua história é contada principalmente na Odisseia, poema atribuído a Homero e considerado uma das grandes obras da literatura grega antiga.

Mas a viagem de Odisseu não é apenas uma sequência de aventuras. É também uma história sobre inteligência, perseverança, saudade e o desejo de voltar para casa.

 

Quem era Odisseu?

Odisseu era rei de Ítaca, uma pequena ilha do mar Jônico. Era filho de Laertes e Anticleia e marido de Penélope, com quem teve um filho, Telêmaco.

Ao contrário de muitos heróis gregos, conhecidos principalmente pela força física, Odisseu se destacava pela inteligência, astúcia e capacidade de encontrar soluções diante de situações difíceis.

Uma de suas principais características era a habilidade de elaborar estratégias. Foi justamente essa característica que se tornou fundamental durante a Guerra de Troia.

Odisseu participou da Guerra de Troia ao lado dos gregos.

Segundo a tradição, ele teve participação importante em uma das estratégias mais famosas da guerra: o Cavalo de Troia. Os gregos construíram um enorme cavalo de madeira e esconderam soldados em seu interior. Depois, fingiram abandonar o local.

Os troianos levaram o cavalo para dentro da cidade como se fosse um presente. Durante a noite, os soldados escondidos saíram, abriram os portões e permitiram a entrada do exército grego. Troia foi finalmente destruída.

Com o fim da guerra, Odisseu iniciou sua viagem de volta para Ítaca, e foi aí que começou sua verdadeira aventura.

 

A viagem que durou dez anos

 

O caminho de volta deveria ser relativamente simples.

Entretanto, Odisseu e seus companheiros enfrentaram tempestades, monstros, feiticeiras, gigantes e deuses que interferiram constantemente em sua jornada. Entre os episódios mais conhecidos estão:

 

Os Cícones

Logo no início da viagem, Odisseu e seus homens chegaram à terra dos Cícones. Depois de atacarem a cidade, permaneceram no local tempo demais e acabaram sendo surpreendidos por uma reação dos habitantes.

Foi uma das primeiras consequências da dificuldade de Odisseu em controlar seus homens.

 

Os Lotófagos

Em outra região, alguns companheiros comeram o fruto do lótus.

Quem provava o alimento perdia o desejo de retornar para casa e queria permanecer naquele lugar. Odisseu precisou obrigá-los a voltar para o navio.

 

O Ciclope Polifemo

Um dos episódios mais famosos aconteceu na terra dos Ciclopes.

Odisseu e seus companheiros entraram na caverna de Polifemo, um enorme Ciclope, filho de Poseidon. Polifemo fechou a entrada da caverna com uma enorme pedra e começou a devorar os companheiros de Odisseu.

Para escapar, Odisseu elaborou um plano: Quando Polifemo perguntou seu nome, Odisseu respondeu que se chamava "Ninguém".

Depois, embriagou o gigante e, enquanto ele dormia, seus homens o cegaram com uma estaca.

Quando os outros Ciclopes ouviram os gritos de Polifemo e perguntaram quem o estava atacando, ele respondeu:

— Ninguém.

Assim, os outros não compreenderam o que estava acontecendo.

Odisseu conseguiu escapar escondendo-se sob as ovelhas do Ciclope. Entretanto, ao deixar a ilha, cometeu um erro que teria consequências graves: revelou seu verdadeiro nome.

Polifemo então pediu vingança ao pai, Poseidon. A partir desse momento, o deus dos mares passou a dificultar ainda mais o retorno de Odisseu.

 

Éolo e os ventos

Odisseu chegou então à ilha de Éolo, senhor dos ventos.

Éolo recebeu o herói e, ao ajudá-lo, colocou os ventos dentro de um saco, deixando livre apenas o vento que poderia levar Odisseu até Ítaca.

Quando já estavam próximos de casa, os companheiros de Odisseu abriram o saco, acreditando que havia algum tesouro escondido ali. Os ventos escaparam e levaram os navios novamente para longe.

A viagem recomeçou.

 

Circe

Depois de outras aventuras, Odisseu chegou à ilha da feiticeira Circe. Ela transformou parte de seus companheiros em porcos.

Com a ajuda do deus Hermes, Odisseu conseguiu resistir aos poderes mágicos de Circe e obrigá-la a desfazer o encantamento. O herói permaneceu na ilha durante algum tempo.

Mais tarde, Circe tornou-se uma aliada e orientou Odisseu sobre como continuar sua viagem.

 

A descida ao mundo dos mortos

Seguindo as orientações de Circe, Odisseu precisou visitar o mundo dos mortos para consultar o profeta Tirésias.

Ali encontrou figuras importantes de seu passado, incluindo sua mãe, Anticleia, e outros heróis mortos.

O episódio é um dos momentos mais importantes da Odisseia, porque Odisseu não enfrenta apenas perigos externos: ele também entra em contato com a morte, a perda e as consequências de sua própria trajetória.

 

As Sereias

Durante a viagem, Odisseu precisou enfrentar o canto das Sereias. Segundo a tradição, o canto delas era tão irresistível que os marinheiros eram atraídos para a morte.

Odisseu queria ouvir o canto sem sucumbir a ele. Por isso, ordenou aos companheiros que colocassem cera nos próprios ouvidos e o amarrassem ao mastro do navio.

Quando ouviu o canto das Sereias, Odisseu pediu desesperadamente para ser libertado. Mas os companheiros seguiram suas ordens anteriores e apertaram ainda mais as amarras. Assim, ele conseguiu ouvir o canto e sobreviver.

 

Cila e Caríbdis

Depois das Sereias, Odisseu enfrentou outro dos episódios mais conhecidos da viagem: Cila e Caríbdis.

Cila era um terrível monstro marinho. Caríbdis, por sua vez, era um enorme redemoinho capaz de engolir as águas e destruir embarcações.

Odisseu precisou escolher um caminho entre os dois perigos. A passagem por Cila custou a vida de alguns de seus companheiros, mas permitiu que o restante do grupo continuasse.

 

Calipso

Depois de novas perdas, Odisseu chegou à ilha de Calipso, uma ninfa que o manteve consigo durante anos.

Calipso queria que Odisseu permanecesse com ela e chegou a oferecer-lhe a possibilidade de viver eternamente. Mas Odisseu continuava desejando retornar para Ítaca e para sua esposa, Penélope.

Finalmente, os deuses determinaram que ele deveria partir.

 

O retorno a Ítaca

Depois de vinte anos de ausência, Odisseu finalmente conseguiu retornar à sua terra, mas sua chegada não significou o fim dos problemas.

Durante sua longa ausência, vários homens haviam ocupado seu palácio. Eles queriam se casar com Penélope, acreditando que Odisseu estivesse morto, e consumiam os bens da família.

Penélope, entretanto, continuava esperando pelo marido.

 

A estratégia de Penélope

Para evitar escolher um novo marido, Penélope havia criado uma estratégia. Prometeu que escolheria um pretendente quando terminasse de tecer uma mortalha. Durante o dia, ela tecia. Durante a noite, desfazia secretamente o trabalho realizado. Assim conseguiu adiar a decisão durante algum tempo.

Quando Odisseu finalmente voltou, Penélope ainda não tinha certeza de que aquele homem diante dela era realmente seu marido.

 

O arco de Odisseu

O momento decisivo aconteceu quando Penélope propôs uma prova aos pretendentes.

Eles deveriam conseguir utilizar o antigo arco de Odisseu e disparar uma flecha através de uma série de machados. Nenhum dos pretendentes conseguiu.

Disfarçado, Odisseu pegou o arco, e conseguiu realizar a prova. Então revelou sua verdadeira identidade.

Com a ajuda de Telêmaco e de alguns aliados, enfrentou os pretendentes e retomou seu lugar como rei de Ítaca.

 

O significado da viagem de Odisseu

A história de Odisseu pode ser lida de várias maneiras, é uma história de aventuras, mas também de retorno, resistência e identidade.

Durante vinte anos, Odisseu esteve distante de sua casa. Enfrentou monstros, perdeu companheiros, foi separado de sua família e sofreu a interferência dos deuses.

Mesmo quando recebeu propostas para permanecer em outros lugares, continuou desejando voltar para Ítaca.

Por isso, a viagem de Odisseu tornou-se uma das grandes histórias da literatura sobre o desejo humano de voltar para casa.

 

Odisseu na literatura

A principal fonte para a história é a Odisseia, poema épico atribuído a Homero.

A obra não conta toda a viagem de maneira linear. Quando a narrativa começa, Odisseu já está há anos longe de Ítaca.

Ao longo do poema, suas aventuras anteriores são contadas em retrospectiva.

A Odisseia, juntamente com a Ilíada, tornou-se uma das obras fundamentais da literatura ocidental.

 

Odisseu e Ulisses

O nome grego do herói é Odisseu (Odysseus), em latim e nas tradições posteriores, tornou-se conhecido como Ulisses, por isso, as duas formas estão corretas e se referem ao mesmo personagem.

 

Grego: Odisseu e romano: Ulisses

 

Uma curiosidade

A palavra odisseia, utilizada atualmente para descrever uma viagem longa, difícil e cheia de acontecimentos, vem justamente do nome de Odisseu e da obra que conta seu retorno para Ítaca.

Assim, quando alguém chama uma longa jornada de "uma verdadeira odisseia", está fazendo referência direta à aventura desse herói grego.

 

Na astrologia

Odisseu não corresponde diretamente a um planeta ou signo tradicional da astrologia.

Entretanto, sua história apresenta temas que podem ser estudados simbolicamente em diferentes sistemas astrológicos, como a busca por identidade, as viagens, os obstáculos, a perseverança e o retorno às próprias origens.

Essa interpretação pertence ao campo simbólico da astrologia e não à narrativa original da mitologia grega.

 

Para conhecer a história original

A principal fonte antiga é a Odisseia, poema épico atribuído a Homero.

É importante lembrar que os mitos gregos não nasceram de um único livro. Eles foram transmitidos durante séculos pela tradição oral e posteriormente registrados por diferentes autores.

A Odisseia é, portanto, uma das fontes antigas mais importantes para conhecer Odisseu e sua longa viagem de volta para casa.