Os Parentes no Mapa Astral

Existe uma técnica chamada casas derivadas (turned houses), em que uma casa que representa determinada pessoa passa a ser tratada como a “Casa 1” daquela pessoa, e daí contamos as demais casas para descobrir assuntos relativos a ela. É uma técnica tradicional, mas as correspondências dos pais variam bastante entre escolas.
O ponto importante é que não existe uma única tabela universal. Por exemplo, há tradição que coloca o pai na 4ª e a mãe na 10ª, enquanto a astrologia moderna frequentemente faz o contrário: mãe na 4ª e pai na 10ª.
A tabela básica de pessoas
Se usarmos a linha ocidental — Casa 4 = mãe e Casa 10 = pai — ficaria assim:
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Casa
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Pessoas representadas
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1
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Você; sua própria pessoa, corpo, identidade
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2
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Família próxima/linhagem familiar; pessoas ligadas aos seus recursos
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3
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Irmãos, irmãs, primos, vizinhos, colegas próximos da infância
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4
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Mãe, lar, raízes, família de origem
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5
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Filhos, crianças, amantes/romances
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6
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Tios e tias (especialmente determinados parentes por derivação), empregados, subordinados/colegas de trabalho
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7
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Cônjuge, parceiro, sócio e também adversários declarados
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8
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Pessoas ligadas a heranças, recursos compartilhados e assuntos de dependência/morte
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9
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Sogros, cunhados por determinadas derivações, mestres |
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10
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Pai |
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11
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Irmãos mais velhos, amigos, grupos e aliados
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12
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Inimigos ocultos; pessoas que atuam nos bastidores; e diversos parentes quando derivados
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A associação 3ª = irmãos e primos, 4ª/10ª = pais, 5ª = filhos, 7ª = parceiro, 11ª = irmãos mais velhos aparece em diferentes sistemas tradicionais.
E depois podemos fazer a derivação.
Por exemplo:
Casa 3 = irmão.
Então, se quisermos saber os filhos do irmão, contamos a 5ª casa a partir da Casa 3:
3 → 4 → 5 → 6 → 7
Logo:
Casa 7 = filhos dos irmãos = sobrinhos.
Outro:
Casa 7 = marido/esposa.
A 10ª casa a partir da Casa 7 mostra a carreira do cônjuge:
7 → 8 → 9 → 10 → 11 → 12 → 1 → 2 → 3 → 4
Portanto:
Casa 4 = profissão do cônjuge.
Isso parece estranho à primeira vista, mas é justamente a lógica das casas derivadas
E dá para ir MUITO longe
Por exemplo:
3ª = irmão
5ª a partir da 3ª = filho do irmão → 7ª
7ª a partir da 3ª = cônjuge do irmão → 9ª
10ª a partir da 3ª = carreira do irmão → 12ª
2ª a partir da 3ª = dinheiro do irmão → 4ª
A casa tem uma significação primária, mas pode ganhar inúmeras significações secundárias através das derivações.
Você poderia inclusive separar duas camadas na leitura de um mapa:
- Casa em si: o que aquele setor representa na vida do nativo.
- Casa derivada: quem aquela casa pode representar em relação a determinada pessoa.
OBS:
Antigamente, quando os autores diziam Casa 4 = mãe e Casa 10 = pai (ou o inverso, conforme a tradição), havia uma pressuposição de que esses lugares estavam relativamente bem definidos dentro da estrutura familiar. Hoje isso pode ser muito menos óbvio.
Uma criança pode ter, por exemplo:
- mãe biológica que não a criou;
- pai ausente e padrasto exercendo a função paterna;
- duas mães ou dois pais;
- avós exercendo a função parental;
- pais separados, com casas diferentes para cada um;
- uma pessoa que foi simultaneamente cuidadora, mãe e figura de autoridade;
- ou uma relação tão conflituosa que "mãe" e "lar" não são psicologicamente a mesma coisa.
E aí aparece uma questão astrológica interessante: a Casa 4 deveria representar a mãe biológica ou a pessoa que constituiu a experiência de lar?
Eu vejo a Casa 4 → a experiência de origem, lar, pertencimento e base emocional. A pessoa que desempenhou a função materna pode aparecer ali, mas não necessariamente precisa ser a mãe biológica.
Da mesma forma, a Casa 10 poderia representar a figura de autoridade, referência ou modelo de realização, e não obrigatoriamente o pai biológico.
Até porque, se você simplesmente disser "Casa 4 é a mãe", a interpretação fica estreita. Mas se disser: "A Casa 4 representa aquilo que foi internalizado como lar e origem; a pessoa que exerceu a função materna pode estar simbolicamente ligada a esse setor," fica muito mais abrangente.
Talvez não seja tão importante descobrir quem é a mãe na Casa 4, mas o que a pessoa recebeu como modelo de pertencimento e segurança e o que precisou fazer com isso posteriormente.
Aí o FC (Fundo do Céu) deixa de ser simplesmente "minha mãe" e passa a ser:
"A matriz emocional de onde eu vim — e aquilo que precisei transformar para construir meu próprio lugar no mundo."
