Os Parentes no Mapa Astral

11/09/2026 23:27

 

Existe uma técnica chamada casas derivadas (turned houses), em que uma casa que representa determinada pessoa passa a ser tratada como a “Casa 1” daquela pessoa, e daí contamos as demais casas para descobrir assuntos relativos a ela. É uma técnica tradicional, mas as correspondências dos pais variam bastante entre escolas.

O ponto importante é que não existe uma única tabela universal. Por exemplo, há tradição que coloca o pai na 4ª e a mãe na 10ª, enquanto a astrologia moderna frequentemente faz o contrário: mãe na 4ª e pai na 10ª.

 

A tabela básica de pessoas

Se usarmos a linha ocidental — Casa 4 = mãe e Casa 10 = pai — ficaria assim:

 

Casa

 

Pessoas representadas

 

1

 

Você; sua própria pessoa, corpo, identidade

 

2

 

Família próxima/linhagem familiar; pessoas ligadas aos seus recursos

 

3

 

Irmãos, irmãs, primos, vizinhos, colegas próximos da infância

 

4

 

Mãe, lar, raízes, família de origem

 

5

 

Filhos, crianças, amantes/romances

 

6

 

Tios e tias (especialmente determinados parentes por derivação), empregados, subordinados/colegas de trabalho

 

7

 

Cônjuge, parceiro, sócio e também adversários declarados

 

8

 

Pessoas ligadas a heranças, recursos compartilhados e assuntos de dependência/morte

 

9

 

Sogros, cunhados por determinadas derivações, mestres

10

 

Pai

11

 

Irmãos mais velhos, amigos, grupos e aliados

 

12

 

Inimigos ocultos; pessoas que atuam nos bastidores; e diversos parentes quando derivados

 

 

 

A associação 3ª = irmãos e primos, 4ª/10ª = pais, 5ª = filhos, 7ª = parceiro, 11ª = irmãos mais velhos aparece em diferentes sistemas tradicionais.

 

E depois podemos fazer a derivação.

Por exemplo:

Casa 3 = irmão.

Então, se quisermos saber os filhos do irmão, contamos a 5ª casa a partir da Casa 3:

3 → 4 → 5 → 6 → 7

Logo:

Casa 7 = filhos dos irmãos = sobrinhos.

 

Outro:

Casa 7 = marido/esposa.

A 10ª casa a partir da Casa 7 mostra a carreira do cônjuge:

7 → 8 → 9 → 10 → 11 → 12 → 1 → 2 → 3 → 4

Portanto:

Casa 4 = profissão do cônjuge.

 

Isso parece estranho à primeira vista, mas é justamente a lógica das casas derivadas

 

E dá para ir MUITO longe

Por exemplo:

3ª = irmão

5ª a partir da 3ª = filho do irmão → 7ª

7ª a partir da 3ª = cônjuge do irmão → 9ª

10ª a partir da 3ª = carreira do irmão → 12ª

2ª a partir da 3ª = dinheiro do irmão → 4ª

A casa tem uma significação primária, mas pode ganhar inúmeras significações secundárias através das derivações.

Você poderia inclusive separar duas camadas na leitura de um mapa:

  • Casa em si: o que aquele setor representa na vida do nativo.
  • Casa derivada: quem aquela casa pode representar em relação a determinada pessoa.

 

OBS:

Antigamente, quando os autores diziam Casa 4 = mãe e Casa 10 = pai (ou o inverso, conforme a tradição), havia uma pressuposição de que esses lugares estavam relativamente bem definidos dentro da estrutura familiar. Hoje isso pode ser muito menos óbvio.

Uma criança pode ter, por exemplo:

  • mãe biológica que não a criou;
  • pai ausente e padrasto exercendo a função paterna;
  • duas mães ou dois pais;
  • avós exercendo a função parental;
  • pais separados, com casas diferentes para cada um;
  • uma pessoa que foi simultaneamente cuidadora, mãe e figura de autoridade;
  • ou uma relação tão conflituosa que "mãe" e "lar" não são psicologicamente a mesma coisa.

E aí aparece uma questão astrológica interessante: a Casa 4 deveria representar a mãe biológica ou a pessoa que constituiu a experiência de lar?

 

Eu vejo a Casa 4 → a experiência de origem, lar, pertencimento e base emocional. A pessoa que desempenhou a função materna pode aparecer ali, mas não necessariamente precisa ser a mãe biológica.

Da mesma forma, a Casa 10 poderia representar a figura de autoridade, referência ou modelo de realização, e não obrigatoriamente o pai biológico.

Até porque, se você simplesmente disser "Casa 4 é a mãe", a interpretação fica estreita. Mas se disser: "A Casa 4 representa aquilo que foi internalizado como lar e origem; a pessoa que exerceu a função materna pode estar simbolicamente ligada a esse setor," fica muito mais abrangente.

Talvez não seja tão importante descobrir quem é a mãe na Casa 4, mas o que a pessoa recebeu como modelo de pertencimento e segurança e o que precisou fazer com isso posteriormente.

Aí o FC (Fundo do Céu) deixa de ser simplesmente "minha mãe" e passa a ser:

"A matriz emocional de onde eu vim — e aquilo que precisei transformar para construir meu próprio lugar no mundo."